E quando o Psicólogo fica esgotado

E quando o Psicólogo fica esgotado

E quando o psicólogo fica esgotado?
Entenda sobre a Síndrome de Burnout e seus impactos
Em meados dos anos 70 surge nos Estados Unidos o termo Burnout, que é a junção de burn = queima e out = exterior sugerindo um estresse crônico mais associado ao mundo do trabalho, em que a pessoa sente “perder a energia”, o entusiasmo e o interesse, comprometendo a sua saúde e desempenho profissional. No Brasil é conhecida como “síndrome do fósforo queimado”.
A pessoa que sofre de Burnout costuma apresentar um nível de estresse enorme, cansaço e mal-estar generalizado, apresentando assim, sinais de esgotamento físico, psíquico e emocional que se relacionam diretamente ao desempenho e à atividade profissional.
O termo burnout, que só se aplica no ambiente laboral, foi criado pelo psicanalista americano Herbert Freudenberger em 1974 para descrever o adoecimento que observou em si mesmo e em colegas. As categorias mais atingidas são as que lidam com pessoas e se expõem ao sofrimento humano, conforme nota Masci. A síndrome acomete muitos enfermeiros, psicólogos, professores, policiais, bombeiros, carcereiros, oficiais de Justiça, assistentes sociais, atendentes de telemarketing.
Existe uma evidência crescente demonstrando que os profissionais da área da saúde mental, por fatores relacionados à natureza de sua profissão, apresentam-se particularmente vulneráveis ao estresse e a seus efeitos. Entre os fatores específicos, destacam-se:
a) o manejo, por um longo período de tempo, com pessoas com transtornos mentais;
b) a responsabilidade para com a vida do paciente;
c) a inabilidade para estabelecer limites em suas interações profissionais
d) a atenção constante aos problemas e necessidades dos pacientes de uma forma não recíproca.
e) remunerações baixas e pouca valorização social da profissão.
É como se, o corpo e a mente colocassem um ponto final: “Agora chega!” Um cansaço devastador revela falta absoluta de energia. Todas as reservas estão esgotadas. No trabalho, a pessoa, antes competente e atenciosa, liga o “piloto automático”. No lugar da motivação, surge irritação, falta de concentração, desânimo, sensação de fracasso. Esses são indícios de uma doença cruel e de difícil diagnóstico que avança nos hospitais, nas empresas, escolas… A síndrome decorre de stress prolongado no trabalho. É quando o copo transborda.
Outro dado importante é que a síndrome afeta mais as mulheres do que os homens. Segundo especialistas elas são mais afetadas porque não se lembram de seguir a orientação das aeromoças: colocar em si mesmas a máscara de oxigênio antes de ajudar os outros. Foi isso que escreveram Sheryl Sandberg, diretora do Facebook, e Adam Grant, professor de administração da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, em artigo sobre mulher e trabalho, publicado no jornal The New York Times em fevereiro de 2017. O dado foi obtido em uma análise de 183 estudos sobre diferenças de gênero e burnout em 15 países. Segundo Sandberg e Grant, uma das razões é a expectativa de que as mulheres realizem, além das suas funções, também o serviço “doméstico” do escritório, como atender telefone, tomar notas, servir café e organizar festas, sem serem recompensadas por isso. Quando negam, são malvistas, o que pode prejudicar a carreira. “Se o homem não ajuda, é porque está ocupado. A mulher é egoísta”, mostram. Incapaz de dizer não, ela abraça mais obrigações, até chegar ao ponto crítico da síndrome do burnout.Se são psicólogas,então, este papel de salvadora emocional dos amigos e família é muito mais cobrado.
Etapas da Síndrome
A primeira é a exaustão, com a “sensação é de estar no vermelho, sem recursos físicos e emocionais”. Há fraqueza, dores musculares e de cabeça, náuseas, alergias, queda de cabelo, distúrbios do sono, maior suscetibilidade a gripes e diminuição do desejo sexual; desesperança, solidão, raiva, impaciência e depressão; raciocínio lento, memória alterada e baixa auto-estima.
A segunda etapa é caracterizada por traços de despersonalização ou ceticismo e distanciamento afetivo. O profissional passa a ter contato frio e irônico com os receptores do seu trabalho e, não raro, torna-se uma presença ranzinza e negativista.
A terceira refere-se mais à produtividade, com baixo grau de satisfação pessoal. A pessoa produz pouco e acha que isso não tem valor. A escalada até o caos é progressiva. Especialistas na Síndrome dizem que a escalada para o burnout se assemelha a colocar um sapo na água quente. Quando isto acontece, ele foge. Mas, se aumentar a temperatura aos poucos, ele não percebe e vai se adaptando até que um dia explode. As mudanças também são graduais e em fases. O sono já não consegue reparar o organismo. Períodos de excitação se intercalam com horas em que se sentem mortos-vivos. A queda no rendimento levanta dúvidas quanto à própria capacidade. Depois, predomina a agressividade. Os hormônios liberados nos ataques de ira (como o cortisol, produzido na suprarrenal) ampliam o risco de diabetes, cardiopatias, doenças auto-imunes, crises de pânico e depressão. Por último, instala-se o esgotamento total.
O burnout é produto de um mix de fatores pessoais, profissionais e sociais. Entre as causas individuais destacam-se o perfeccionismo, que leva à busca de uma excelência às vezes impossível, e o idealismo em relação à profissão, cobrando um engajamento pessoal para além dos limites.
Tratamento
Esse mal é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e pelas leis brasileiras como doença ocupacional. Por isso, admite-se o afastamento para debelar a síndrome. O problema está na dificuldade de diagnosticar – muitas vezes ela é confundida com depressão. Em geral, antidepressivos fornecem certo alívio. Mas o tratamento compreende mais coisas. Não dá para ficar tomando um remedinho e seguir num ritmo louco. É preciso desacelerar. A mudança pode vir por meio de psicoterapia. Meditação e técnicas de relaxamento associadas ao tratamento combatem esse tipo de stress. O ideal é um retorno gradual ao trabalho, em que as demandas crescem aos poucos e respeitam as próprias necessidades e limites do profissional.

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Maria Teresa Soares Eutrópio
teresa@abrangente.psc.br

Psicoterapeuta há 32 anos pela UFMG. Formação em Psicoterapia Breve e Psicoterapia Familiar Sistêmica. Especialista em Psicologia Clínica e mestre em Psicoterapia e Hipnose Ericksoniana. Autora do livro: “Construindo Metáforas e Histórias Terapêuticas”.

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