Hum… que delícia de celular!

Hum… que delícia de celular!

 Hum… que delícia de celular!

“O que você quer comer?” Perguntou a avó para o neto durante o café da manhã.
“Qualquer coisa. Põe que você quiser.” Respondeu o garoto de 5 anos que, sentado à mesa, brincava em seu celular.
Logo a seguir entraram mais três crianças da mesma faixa etária. Sentaram-se e os pais lhes entregaram celulares ou tablets.
Enquanto comiam ou tomavam seus sucos, os olhos ficavam fixos, vidrados na telinha daquele que tem sido a sua principal companhia na hora de se alimentar. Nem piscavam! Pareciam estátuas, ou melhor, verdadeiros anjos… Que maravilha! Que tranquilidade tomar café da manhã assim, com crianças tão bem comportadas! Não faziam pirraça, não brincavam com a comida, não faziam barulho, enfim, não davam nenhum trabalho. Papai e mamãe ficavam tranquilos e também podiam tomar seu café numa boa, muitas vezes também com seu apêndice tecnológico a tiracolo.

Esta cena se repetiu durante toda a semana que estive de férias em Maceió em um hotel aconchegante, de porte médio e muito apropriado para famílias. Todas as manhãs era a mesma coisa, 90% das crianças anestesiadas pelos celulares. Era impossível meu marido e eu não comentarmos o fato. Era muito gritante a cena, muito evidente o fenômeno. Para mim, chegou a ser angustiante.
Que triste…não interagiam com os pais e nem os pais com elas, não se alimentavam direito, não sabiam o que estavam comendo, comiam em excesso ou às vezes nada.
Praticamente em transe como se fossem robôs. Ausentes daquele momento que poderia ser muito mais gostoso do que o próprio café da manhã!
Quantas frutas diferentes para conhecer, saber o nome, experimentar. Que boa oportunidade de olhar para o lado e ver as diversas pessoas que ali estavam. Que delícia poderia ser escolher bolos e pães… Ah, e a tapioca? Ver a moça fazendo, assando o queijo… Sotaques diferentes, pessoas de outros países… Tão jovens e tão distantes.

Mas, no último dia destas férias, meu coração se entristeceu ainda mais. No restaurante, um garotinho de 10 a 12 meses no máximo, sentado na cadeirinha de bebê, sem nenhum brinquedo apropriado para sua idade, mas totalmente adaptado à alimentação digital. Dedinhos tocando a tela do iPhone, os olhinhos comendo as imagens, os ouvidos saboreando as musiquinhas. Cabecinha baixa pra não perder nem um minuto do desenho infantil, enquanto isso… Bom, enquanto isso, papai e mamãe, desciam-lhe comida e mais comida goela abaixo. Calorias a mais, presença de menos.

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Maria Teresa Soares Eutrópio
teresa@abrangente.psc.br

Psicoterapeuta há 32 anos pela UFMG. Formação em Psicoterapia Breve e Psicoterapia Familiar Sistêmica. Especialista em Psicologia Clínica e mestre em Psicoterapia e Hipnose Ericksoniana. Autora do livro: “Construindo Metáforas e Histórias Terapêuticas”.

1 Comentário
  • Karine
    Postado em 21:12h, 22 janeiro Responder

    Muito boa sua reflexão! Nossas crianças estão se engasgando com tecnologia…

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